Controlo e Tratamento da Diabetes Mellitus em Fim de Vida: Revisão

Autores

  • Adriana Vasconcelos Oliveira Unidade de Cuidados Paliativos da RNCCI Wecare, Médica especialista em Medicina Geral e Familiar, Póvoa de Varzim; Portugal https://orcid.org/0000-0003-4320-6773
  • Beatriz Soares Unidade de Saúde Familiar Salvador Machado, Médica especialista em Medicina Geral e Familiar, ACeS Aveiro Norte, Aveiro, Portugal https://orcid.org/0000-0002-1373-9133
  • José Ferraz Gonçalves Serviço de Cuidados Paliativos, Instituto Português de Oncologia do Porto Francisco Gentil-Porto, Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.24950/R/109/20/3/2020

Palavras-chave:

Cuidados Paliativos, Cuidados Terminais, Diabetes Mellitus/tratamento

Resumo

Introdução: A prevalência da diabetes mellitus em doentes paliativos tem tendência a aumentar. As estratégias de controlo metabólico dirigidas a valores alvo atualmente preconizadas para a população em geral são desadequadas para doentes em fim de vida e põem em causa os princípios de bem-estar e qualidade de vida, por colocarem o foco na prevenção de complicações a longo prazo. As questões neste contexto são inúmeras. Qual o valor alvo de controlo metabólico adequado? O controlo da doença baseado na HbA1C mantém-se aceitável? Que fármacos preferir nestes doentes? O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão sobre o controlo e tratamento da diabetes mellitus em doentes em fim de vida.

Métodos: Pesquisa em Novembro de 2019 de artigos de revisão, estudos observacionais, artigos de opinião e diretrizes, com os termos “palliative care” e “diabetes mellitus”, publicados nos últimos 10 anos em inglês, espanhol e português, nas bases de dados Medline/PubMed, National Institute for Health and Care Excellence (NICE) e Science- Direct.

Resultados: Na abordagem da diabetes mellitus num doente em fim de vida, é imperativo o enfoque na prevenção de complicações agudas devido a hipoglicemia ou hiperglicemia. A maioria dos estudos refere que o controlo de HbA1C é pouco relevante em doentes em fim de vida. A pesquisa de glicemia capilar deve ser reduzida ou abolida e no caso de ser realizada, devem ser tolerados valores entre 108 e 270 mg/dL se a esperança média de vida for de meses, e valores de 180-360 mg/dL se a esperança média de vida for de semanas ou dias. Na definição da estratégia terapêutica é necessário individualizar medidas em função dos perfis do doente e cuidador, no sentido de simplificar esquemas. Devem considerar-se as características farmacocinéticas e farmacodinâmicas de cada fármaco, efeitos secundários e potencial de hipoglicemia. A dieta deve ser liberalizada conforme o gosto.

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Publicado

30-09-2021

Como Citar

1.
Vasconcelos Oliveira A, Soares B, Ferraz Gonçalves J. Controlo e Tratamento da Diabetes Mellitus em Fim de Vida: Revisão. RPMI [Internet]. 30 de Setembro de 2021 [citado 10 de Agosto de 2022];27(3):251-6. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/126

Edição

Secção

Artigos de Revisão