Solidão e Utilização dos Serviços de Saúde em Adultos Mais Velhos: Uma Revisão Narrativa da Evidência Portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.24950/rspmi.2813Palavras-chave:
Idoso, Isolamento Social, Serviços de Saúde, SolidãoResumo
A solidão é um problema crescente em Portugal. Pretendemos caracterizar o impacto da solidão na utilização dos serviços de saúde entre adultos idosos em Portugal, explorando como a solidão pode atuar como um determinante oculto da procura de cuidados.
Esta revisão narrativa sintetiza a evidência proveniente de estudos observacionais originais realizados em Portugal que investigaram a associação entre solidão ou isolamento social e a utilização dos cuidados de saúde em indivíduos com 65 ou mais anos. Os estudos foram identificados em bases de dados nacionais e internacionais e incluídos se reportassem solidão e resultados de utilização de cuidados (consultas em cuidados de saúde primários, recurso ao serviço de urgência, internamentos hospitalares ou consumo de medicação). Os resultados foram analisados para identificar padrões de utilização e impacto na prática clínica e na organização do sistema de saúde.
Foram incluídos quatro estudos transversais, totalizando 1272 participantes. A solidão esteve consistentemente associada a maior utilização de serviços de saúde, incluindo consultas frequentes nos cuidados de saúde primários, idas ao serviço de urgência, consumo de medicação e declínio funcional. Os idosos institucionalizados e aqueles com maior dependência funcional apresentaram níveis mais elevados de solidão. A evidência sugere que os serviços de saúde frequentemente atuam como substitutos sociais, absorvendo necessidades relacionais não satisfeitas, com risco de sobrediagnóstico e sobremedicação.
A solidão é mensurável, prevalente e está associada à maior procura de cuidados em Portugal. Reconhecê‑la como um diagnóstico social sustenta estratégias proativas e centradas na pessoa como o rastreio por rotina, o reforço da continuidade relacional nos cuidados de saúde primários e o encaminhamento para recursos comunitários (por exemplo, prescrição social ou programas intergeracionais). Estas abordagens alinham‑se com os quadros de envelhecimento saudável e podem reduzir a utilização evitável, melhorando o bem‑estar.
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