Prevenção e Abordagem do Doente com Delirium no Internamento: Protocolo Hospitalar
DOI:
https://doi.org/10.24950/rspmi.2824Palavras-chave:
Delirium/diagnóstico, Delirium/prevenção e controlo, Delirium/tratamento farmacológico, HospitalizaçãoResumo
O delirium é uma síndrome de instalação aguda e potencialmente reversível, caracterizada por alterações em múltiplos domínios cognitivos. Apresenta elevada prevalência, particularmente na população idosa, podendo afetar mais de 50% dos doentes em contexto de internamento hospitalar. Assim, os autores consideram importante a realização de uma análise aprofundada desta entidade, bem como a definição de estratégias estruturadas de prevenção, diagnóstico precoce e abordagem adequada.
Foi realizada uma pesquisa exaustiva de artigos originais, revisões sistemáticas, guidelines clínicas e documentos institucionais. Para o efeito, foram consultadas as bases de dados PubMed e Google Scholar, bem como plataformas de referência clínica, incluindo UpToDate e Medscape. Adicionalmente, foram analisadas as diretrizes publicadas pelo National Institute for Health and Care Excellence (NICE), pelo Scottish Intercollegiate Guidelines Network (SIGN) e pela American Geriatrics Society (AGS).
A evidência disponível demonstra que a pedra basilar da abordagem do delirium é a aplicação de estratégias não farmacológicas, centradas na prevenção que visam facilitar a orientação, nomeadamente através da promoção da orientação, da familiaridade do ambiente e da regulação do ciclo sono-vigília. A terapêutica farmacológica deverá ser reservada apenas no delirium hiperativo, sendo o haloperidol o fármaco desta classe melhor estudado. Contudo, tem-se verificado o aumento do uso de antipsicóticos atípicos, como a quetiapina, a risperidona, a olanzapina e o aripiprazol. Em doentes com disrupção do ciclo sono-vigília, o objetivo do tratamento centra-se em ajudar o doente a normalizá-lo, privilegiando o uso de fármacos aprovados para o tratamento de insónia, como a trazodona, a mirtazapina e a melatonina.
A destacar que a contenção física deve ser uma conduta excecional, justificável apenas quando houver risco à integridade física do doente ou daqueles à sua volta, após esgotadas todas as outras opções terapêuticas.
Em suma, espera-se que o presente protocolo contribua para a melhoria da abordagem do delirium, promovendo a sua prevenção, o reconhecimento precoce e o tratamento adequado, com impacto na redução da morbilidade, da duração do internamento e dos custos associados, bem como na uniformização de práticas baseadas na evidência.
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