PICTURE-IM: Iniciativa Portuguesa para a Caracterização do Internamento: Um Estudo Retrospetivo Multicêntrico de Medicina Interna – PARTE 1
DOI:
https://doi.org/10.24950/rspmi.2848Palavras-chave:
Internamento Hospitalar, Medicina Interna, Multimorbilidade, PortugalResumo
Introdução:
A Medicina Interna (MI) desempenha um papel fundamental no tratamento de adultos com doença complexa, tanto em contexto hospitalar como em ambulatório. O seu âmbito de intervenção abrange o diagnóstico e o tratamento de doenças agudas, assim como o tratamento e acompanhamento a longo prazo de doenças crónicas. Apesar dos inúmeros estudos realizados nos Serviços de MI, poucos caracterizaram de forma abrangente e compreensiva a população internada nas enfermarias de MI em Portugal. Este estudo tem como objetivo reforçar a importância da MI no sistema de saúde português e descrever a complexidade dos doentes e das condições geridas pelos internistas. A Parte 1 deste estudo apresenta as características gerais da população internada.
Métodos:
Conduzimos um estudo multicêntrico, observacional e transversal que envolveu 25 dos 45 Serviços de MI do sistema de saúde português, coordenado pelo Núcleo de Internos de Medicina Interna da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. Foram recolhidos dados sobre as características demográficas dos doentes, comorbilidades, características do internamento e resultados.
Resultados:
Foram analisados um total de 7282 internamentos. A idade média dos doentes foi de 77 anos, sendo a maioria do sexo feminino (50,95%). Quase metade dos doentes (48,47%) eram autónomos ou apresentavam ligeira dependência nas atividades básicas de vida diária, enquanto 18,32% apresentavam elevada dependência. A multimorbilidade e os fatores de risco cardiovasculares apresentaram elevada prevalência: 80,34% dos doentes apresentavam multimorbilidade, 72,38% hipertensão, 52,78% dislipidemia e 35,09% diabetes. A maioria (52,76%) teve alta para o domicílio, 13,73% para Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas e 9,76% para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. A duração média do internamento (DM) foi de 23 dias, embora 15,49% dos internamentos tenham sido prolongadas por motivos sociais; excluindo estes, a DM foi de 15 dias. A taxa de mortalidade intra-hospitalar foi de 15,52%. Os diagnósticos primários mais frequentes pertenceram aos grupos X (32,18%), IX (23,42%), XIV (10,08%), I (6,41%) e XI (4,41%) da CID-10.
Conclusão:
Este estudo reforça a diversidade e complexidade dos internamentos geridos pelos Serviços de MI e destaca a sua contribuição central para o sistema de saúde português. É fundamental reforçar o apoio à MI para dar resposta às necessidades em constante evolução de uma população a envelhecer e com multimorbilidade, garantindo cuidados de saúde de alta qualidade, centrados no doente e sustentáveis.
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