Avaliação e Gestão da Dor em Doentes com Demência: Estudo Retrospetivo num Serviço de Medicina de um Hospital Terciário
DOI:
https://doi.org/10.24950/rspmi.2791Palavras-chave:
Avaliação da Dor, Dor, Demência, Gestão da Dor, Hospitalização, IdosoResumo
Introdução: A dor é um sintoma prevalente nos doentes idosos e a sua avaliação nos doentes com demência pode ser desafiante devido a limitações quer na comunicação, quer no uso adequado de instrumentos de avaliação validados.
Métodos: Com o intuito de avaliar a prevalência, caracterização e abordagem terapêutica da dor em doentes com demência internados num serviço de Medicina Interna, comparando-os com doentes sem demência, foi desenhado um estudo retrospetivo observacional, incluindo todos os doentes internados entre 5 e 7 de dezembro de 2022. O estado cognitivo dos doentes foi assumido de acordo com o determinado pela equipa médica assistente. Foram excluídos os doentes sem registo de avaliação da dor, em caso de alta ou óbito antes do término do período de avaliação. A dor foi avaliada através das escalas Numeric Rating Scale e Pain Assessment in Advanced Dementia. Foram analisadas características demográficas, comorbilidades e terapêutica analgésica prescrita segundo a escala analgésica da OMS.
Resultados: Foram incluídos 114 doentes, 54,4% com demência, com idade mediana de 81 (IIQ 13,0) anos. Foram excluídos os doentes que não tivessem avaliação da dor, com alta ou óbito antes das 72 horas do período de avaliação.
A prevalência global da dor foi de 45,6%, sem diferenças significativas entre grupos (p=0,67). A Numeric Rating Scale foi usada em 24,6% do total dos casos e a Pain Assessment in Advanced Dementia em 9,6% dos doentes com demência. Não se registou dor moderada ou grave neste grupo. Do total dos doentes com dor, a maioria (88,6%) tinha pelo menos um analgésico prescrito, sem diferenças na utilização de opioides entre os grupos. Não foram documentadas medidas não farmacológicas.
Conclusão: A dor, ainda que frequente, foi subdiagnosticada e, possivelmente, subtratada em doentes com demência.
São necessárias estratégias estruturadas de avaliação, gestão e formação das equipas para melhorar o controlo da dor nesta população.
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