Espondilodiscite Infecciosa: Formas de Apresentação, Diagnóstico e Tratamento

Autores

  • Vanessa Novais de Carvalho Departamento de Medicina Interna - Hospital da Luz; Lisboa; Portugal
  • Filipa Ferreira Silva Departamento de Medicina Interna - Hospital da Luz; Lisboa; Portugal
  • Pedro Morais Sarmento Departamento de Medicina Interna - Hospital da Luz, Lisboa; Portugal
  • Sérgio Baptista Departamento de Medicina Interna - Hospital da Luz; Lisboa; Portugal
  • João Sá Departamento de Medicina Interna - Hospital da Luz; Lisboa; Portugal

DOI:

https://doi.org/10.24950/rspmi/original/218/2/2018

Palavras-chave:

Discite/diagnóstico, Discite/tratamento, Disco Intervertebral, Infecções Bacterianas/diagnóstico, Infecções Bacterianas/tratamento

Resumo

Introdução: A espondilodiscite tem uma apresentação heterogénea, tornando o diagnóstico, por vezes, um desafio. Os
autores caracterizam e avaliam a prevalência de espondilodiscite num serviço de Medicina Interna.
População/Métodos: Estudo retrospetivo observacional de
todos os doentes com diagnóstico de espondilodiscite à
data da alta, entre 2007 e 2016. Avaliaram-se: variáveis demográficas; forma de apresentação; fatores de risco; local
de infeção; agente isolado e tratamento efetuado.
Resultados: Identificaram-se 33 casos de espondilodiscite
(19 homens; idade média 77,0 ± 15,5 anos), perfazendo
uma prevalência de 0,3%. Os sintomas de apresentação
mais frequentes foram dor dorso-lombar, febre e alterações
neurológicas. Doze doentes apresentavam infeção concomitante, oito diabetes mellitus, quatro neoplasia e três doença
hepática crónica. Quatro doentes foram submetidos a cirurgia há <6 meses e um era utilizador de drogas endovenosas.
Analiticamente, 25 doentes tinham elevação dos parâmetros
inflamatórios. Imagiologicamente: 21 doentes realizaram
ressonância magnética (RM) e tomografia computorizada
(TC), seis RM, quatro TC e um tomografia por emissão de
positrões. Quinze doentes realizaram biópsia. A localização
mais frequente foi a coluna lombar em L4-S1. Em 11 doentes
isolou-se Escherichia coli ESBL, Staphylococcus aureus meticilino-resistente (MRSA) ou Staphylococcus aureus meticilino-sensível (MSSA) e num Mycobacterium tuberculosis. O
esquema de antibioterapia foi: vancomicina e ciprofloxacina
nos doentes com culturas estéreis ou positivas a MRSA, meropenem ou piperacilina/tazobactam e ciprofloxacina quando positivas a E. coli ESBL, e flucloxacilina quando positivas
a MSSA. A duração média de tratamento foi de 5 semanas.
Conclusão: O doente com espondilodiscite é idoso, com co-
-morbilidades. Os exames imagiológicos são essenciais uma
vez que os sintomas e as alterações laboratoriais podem estar
ausentes.

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Publicado

13-06-2018

Como Citar

1.
Novais de Carvalho V, Ferreira Silva F, Morais Sarmento P, Baptista S, Sá J. Espondilodiscite Infecciosa: Formas de Apresentação, Diagnóstico e Tratamento. RPMI [Internet]. 13 de Junho de 2018 [citado 3 de Julho de 2022];25(2):85-90. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/444

Edição

Secção

Artigos Originais