A Capilaroscopia na Avaliação de Doenças Autoimunes

Autores

  • Juliana Silva Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Petra Monteiro Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Ricardo Fernandes Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Joana Malheiro Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Carina Silva Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Paula Ferreira Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Andreia Seixas Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Victor Paixão Dias Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.24950/rspmi/O37/17/2017

Palavras-chave:

Angioscopia Microscópica, Capilares, Doença de Raynaud, Doenças Autoimunes, Esclerose Sistémica, Unhas/irrigação sanguínea

Resumo

Introdução: A capilaroscopia periungueal é um método simples,
seguro e não invasivo, fundamental na avaliação da microcirculação
in vivo, e crucial na distinção entre fenómeno
de Raynaud primário e secundário. O fenómeno de Raynaud
assume a sua maior importância nas doenças do espectro da
esclerose sistémica , onde pode traduzir precocemente o envolvimento
vascular e alterações na microcirculação, antes do
aparecimento de outras manifestações clínicas ou envolvimento
de órgãos, criando uma oportunidade para a prevenção de
complicações vasculares.
Métodos: Foram analisados, retrospetivamente, os dados clínicos
e dos resultados da capilaroscopia periungueal de 110
doentes seguidos numa consulta de doenças auto-imunes,
maioritariamente do género feminino.
Resultados: O principal motivo para a realização da capilaroscopia
periungueal foi o estudo do fenómeno de Raynaud,
na sua maioria casos secundários (67,4%), sendo a patologia
subjacente mais frequente a esclerose sistémica. Não se encontraram
alterações de relevo na arquitetura dos capilares em
27,3% (n = 30); os restantes apresentavam alterações minor
da morfologia em 28 casos, presença de megacapilares/ansas
capilares dilatadas em 41 doentes (37,3%), áreas avasculares
ou de rarefação capilar em 35 (31,8%), presença de microhemorragias
em 36 doentes (32,7%) e sinais de neoangiogénese
em cinco (4,5%). A grande maioria dos doentes com esclerose
sistémica apresentava Raynaud secundário. Apenas dois
doentes com esclerose sistémica não apresentavam alterações
major na capilaroscopia periungueal, tendo os restantes
um padrão esclerodérmico bem definido.
Conclusão: Salienta-se que a eficácia da CPU no diagnóstico
precoce da esclerose sistémica, monitorização da progressão
da doença e predição de envolvimento de órgãos, a tornam num
instrumento não invasivo essencial, como suportado pela sua inclusão
nos critérios de classificação da esclerose sistémica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Rosário e Souza EJ, Kayser C. Capilaroscopia periungueal: relevância para a prática reumatológica. Rev Bras Reumatol. 2015;55:264-71.

Rossi D, Russo A, Manna E, Binello G, Baldovino S, Sciascia S, et al. The role of nail-videocapillaroscopy in early diagnosis of scleroderma. Autoimmun Rev. 2013;12:821-5.

Cutolo M, Pizzorni C, Sulli A. Nailfold video-capillaroscopy in systemic sclerosis. Rheumatology. 2004;63:457–62.

Van den Hoogen F, Khanna D, Fransen J, Johnson SR, Baron M, Tyndall A, et al. Classification Criteria for Systemic Sclerosis: An ACR-EULAR Collaborative Initiative. Arthritis Rheum. 2013; 65; 2737–47.

Meli M, Gitzelmann G, Koppensteiner R, Amann-Vesti BR. Predictive value of nailfold capillaroscopy in patients with Raynaud´s phenomenon. Clin Rheumatol. 2006;25:153-8.

Cipriani P, Marrelli A, Liakouli V, Di Benedetto P, Giacomelli R. Cellular players in angiogenesis during the course of systemic sclerosis. Autoimmun Rev. 2011;10:641–6.

Cutolo M, Pizzorni C, Sulli A. Identification of transition from primary Raynaud´s phenomenon to secondary Raynaud´s phenomenon by nailfold videocapillaroscopy: comment on the article by Hirschl et al. Arthritis Rheum. 2007;56:2102–3.

Ghizzoni C, Sebastiani M, Manfredi A, Campomori F, Colaci M, Giuggioli D, et al. Prevalence and evolution of scleroderma pattern at nailfold videocapillaroscopy in systemic sclerosis patients: Clinical and prognostic implications. Microvasc Res. 2015; 99:92– 5.

Jammal M, Kettaneh A, Cabane J, Tiev K, Toledano C. Periungueal capillaroscopy: an easy and reliable method to evaluate all microcirculation diseases. Rev Med Interne. 2015;36:603-12.

Sambataro D, Sambataro G, Zaccara E, Maglione W, Polosa R, Afeltra AM, et al. Nailfold videocapillaroscopy micro-haemorrhage and giant capillary counting as an accurate approach for a steady state definition of disease activity in systemic sclerosis. Arthritis Res Ther. 2014;16: 462.

Alan S, Balkarlı A, Tuna S, Özkan U, Temel S, Özhan N, et al. The nailfold videocapillaroscopy findings of Behçet’s syndrome. Dermatol Sinica. 2016;34:74-7.

Young HR, Seong JC, Young HL, Jong DJ, Gwan GS. Scleroderma associated with ANCA-associated vasculitis. Rheumatol Int. 2006;26:369–75.

Sosada B, Loza K, Bialo-Wojcicka E. Relapsing polychondritis. Case Rep Dermatol Med. 2014;2014:791951.

Adegunsoye A, Oldham JM, Demchuk C, Montner S, Vij R, Strek ME. Predictors of survival in coexistent hypersensitivity pneumonitis with autoimmune features. Respir Med. 2016;114:53-60.

Overbury R, Murtaugh MA, Fischer A, Frech TM. Primary care assessment of capillaroscopy abnormalities in patients with Raynaud´s phenomenon. Clin Rheumatol. 2015;34:2135-40.

Matucci-Cerinic M, Kahaleh B, Wigley FM. Review: Evidence that systemic sclerosis is a vascular disease. Arthritis Rheum. 2013;65:1953-62.

Chora I, Guiducci S, Manetti M, Romano E, Mazzotta C, Bellando-Randone S, et al. Vascular biomarkers and correlation with peripheral vasculopathy in systemic sclerosis. Autoimmun Rev. 2015;14:314-22.

Le Roy EC, Medsger Jr. TA. Raynaud´s phenomenon: a proposal for classification. Clin Exp Rheumatol. 1992; 10: 485-8.

Koenig M, Joyal F, Fritzler MJ, Roussin A, Abrahamowicz M, Boire G, et al. Autoantibodies and microvascular damage are independent predictive factors for the progression of Raynaud´s phenomenon to systemic sclerosis: A twenty-year prospective study of 586 patients, with validation of proposed criteria for early systemic sclerosis. Arthritis Rheum. 2008;58:3902-12.

Miniati I, Guiducci S, Conforti ML, Rogai V, Fiori G, Cinelli M, et al. Autologous stem cell transplantation improves microcirculation in systemic sclerosis. Ann Rheum Dis. 2009;68:94-8.

Cutolo M, Zampogna G, Vremis L, Smith V, Pizzorni C, Sulli A. Longterm effects of endothelin receptor antagonism on microvascular damage evaluated by nailfold capillaroscopic analysis in systemic sclerosis. J Rheumatol. 2013;40:40-5.

Cutolo M, Ruaro B, Pizzorni C, Ravera F, Smith V, Zampogna G, et al. Long-term treatment with endothelin receptor antagonist bosentan and iloprost improves fingertip blood perfusion in systemic sclerosis. J Rheumatol. 2014;41:881-6.

Ficheiros Adicionais

Publicado

29-12-2017

Como Citar

1.
Silva J, Monteiro P, Fernandes R, Malheiro J, Silva C, Ferreira P, Seixas A, Paixão Dias V. A Capilaroscopia na Avaliação de Doenças Autoimunes. RPMI [Internet]. 29 de Dezembro de 2017 [citado 10 de Junho de 2023];24(4):285-9. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/759

Edição

Secção

Artigos Originais

Artigos mais lidos do(s) mesmo(s) autor(es)