Infeções Urinárias da Comunidade: Um Estudo Comparativo entre 2013 e 2015

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24950/O/145/20/4/2020

Palavras-chave:

Farmacorresistência Bacteriana Múltipla, Infeções Comunitárias Adquiridas, Infeções Urinárias

Resumo

Introdução: As infeções do trato urinário (ITU) constituem um dos principais motivos de avaliação na urgência e de prescrição de antibióticos. O nosso objetivo foi caracterizar as ITU da comunidade e padrões de prescrição de antibióticos em dois anos.

Material e Métodos: Estudo observacional retrospetivo, incluindo doentes avaliados nos primeiros semestres de 2013 e de 2015 com o diagnóstico de ITU da comunidade, avaliados no atendimento urgente de adultos.

Resultados: Identificaram-se 1981 diagnósticos aos quais corresponderam 448 uroculturas positivas. A Escherichia coli foi a bactéria mais frequente, observando-se uma diminuição significativa da sua prevalência entre os dois períodos. Encontrou-se uma diminuição da resistência da Escherichia coli à ciprofloxacina e ao co-trimoxazole (sulfametoxazol/ trimetoprim) e um aumento da resistência da Klebsiella pneumoniae à nitrofurantoina. A nitrofurantoína, as quinolonas e as cefalosporinas apresentaram sensibilidades globais superiores a 90%. No período de dois anos, a prescrição de quinolonas diminuiu enquanto a de fosfomicina e nitrofurantoína aumentou.

Discussão: O perfil de resistência da Escherichia coli às quinolonas encontrado no nosso estudo é inferior ao documentado previamente em Portugal. Verificou-se uma aproximação às normas nacionais através da diminuição da prescrição de quinolonas e co-trimoxazole, tendo levado a uma melhoria do perfil de sensibilidades a estes antibióticos.

Conclusão: Apesar da tendência de diminuição de prescrição de quinolonas, esta classe de antibióticos continua, ainda, a ser a mais prescrita, sendo necessária uma otimização da prescrição local.

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Publicado

23-09-2021

Como Citar

1.
Cruz M, Barros R, Calado E, Carneiro A. Infeções Urinárias da Comunidade: Um Estudo Comparativo entre 2013 e 2015. RPMI [Internet]. 23 de Setembro de 2021 [citado 13 de Agosto de 2022];27(4):307-13. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/100

Edição

Secção

Artigos Originais