Tifo epidémico em Portugal: um contributo para o seu conhecimento histórico e epidemiológico

Autores

  • J. A. David de Morais Serviço de Medicina II do Hospital do Espírito Santo de Évora e Departamento de Ecologia da Universidade de Évora

Palavras-chave:

tifo epidémico, tifo exantemático, piolhos, gripe pneumónica, varíola, Portugal

Resumo

O tifo exantemático terá feito a sua aparição em Portugal no final
do século XV e, a partir daí, registaram-se surtos epidémicos
especialmente nos períodos mais conturbados da nossa História:
invasões napoleónicas, Guerras Liberais, etc. A última epidemia
tífica de assinalável importância ocorreu, entre nós, em 1918-
1919, atingindo particularmente o norte do País.
Neste trabalho, o autor analisa, histórica e estatisticamente, a
problemática do tifo epidémico em Portugal, em especial durante a primeira metade do século XX.
Como ponto importante desta investigação, o autor provou ainda que, afinal, em 1918-1919 não ocorreu apenas uma epidemia
em Portugal, mas sim três, simultaneamente: tifo epidémico, gripe
pneumónica e varíola.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Zinsser, H. Rats, Lice and History. New York: Black Dog & Leventhal, 1996 (originally published: Boston, 1935).

Jorge, Ricardo. A epidemia de tifo exantemático. Med Contemporânea 1918; 20 (9): 65-72.

Reiss-Gutfreund, R J. The isolation of Rickettsia prowasekii and mooseri from unusual sources. Am J Trop Med Hyg 1966; 15: 943-9.

Burgdorfer, W; Ormsbee, R A; Schmidt M L et al. A search for the epidemic typhus agent in Ethiopian ticks. Bull World Health Org 1973; 48: 563-9.

Medina-Sanchez, A; Bouyer, D H; Alcântara-Rodriguez, V; Mafra, C; Zavala-Castro, J; Whitworth, T et al. Detection of a typhus group Rickettsiain Amblyomma ticks in the State of Nuevo Leon, México. Ann N Y Acad Sci 2005; 1063: 327-32.

Durak, D T; Walker, D H. Rickettesial Infection. In: Jay H. Stein, ed. Internal Medicine, fouth edition. St. Loius: Mosby, 1994: 2062-8.

Bastos, Cláudio. Portugal Médico 1919; 5 (10): 593-7.

Fonseca, F; Pinto, Manuel R; Amaro, C; Pinto, Madeira. Tifo exantemático. I — Tifo histórico ou epidémico. Med Contemporânea 1942; 60 (11): 167-76. Idem, 60 (12): 183-9, 207-11.

Carmona, Juan Ignacio. Enfermedad y Sociedade en los Primeros Tiempos Modernos. Sevilla: Universidad de Sevilla, 2005.

Sournia, Jean-Charles; Ruffie, Jacques. As Epidemias na História do Homem. Lisboa: Edições 70, 1986.

Raoult, D; Dutour, O; Houhamdi, L; Jankauskas, R; Fournier, P-E; Ardagna, Y et al. Evidence for louse-transmitted diseases in soldiers of Napoleon’s Grand Army in Vilnius. J Infec Dis 2006; 193: 112-20.

Tarasevich, I V; Mediannikov, O Y. Rickettsial diseases in Russia. Annals of the New York Academy of Sciences 2006; 1078 (1): 48-59.

Stein, A; Purgus, R; Olmer, M; Raoult, D. Brill-Zinsser disease in France. Lancet 1999; 353 (9168): 1936.

Farfan, Fray Augustin. Tractado Brebe de Medicina, y de todas las enfermedades. Mexico: Pedro Ocharte, 1592: 248-57. Edição fac-similada: Coleccion de Incunables Americanos, Siglo XVI, Volumen X. Madrid: Ediciones Cultura Hispanica, 1944.

Zinsser, H; Bayne-Jones S. Tratado de Bacteriologia. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1947.

Gomes, B A. Apontamentos para a história epidemiológica portugueza. Epochas das grandes epidemias que reinaram em Portugal, segundo os documentos impressos. Gazeta Medica de Lisboa 1858; 6 (126): 81-5.

Camacho, Brito. Scenas da Vida. Lisboa: Guimarães, s. d.: 18-9.

Simões de Macedo, Júlio Fernando. Tifo Exantemático. Porto: Faculdade de Medicina, 1920 (dissertação inaugural).

Correia, Fernando da Silva. Portugal Sanitário. Lisboa: Direcção Geral de Saúde, 1938.

20 http://portugal.veraki.pt/concelhos/concelhos.php?&idconc=272&op=HI&gr=CO&pag=3

Joaquín de Villalba. Epidemiología española, o historia cronológica de las pestes, contagios, epidemias y epizootias que han acaecido en España desde la venida de los cartagineses hasta el año 1801. In: Carmona, J I. Enfermedad y Sociedade en los Primeros Tiempos Modernos. Sevilla: Universidad de Sevilla, 2005: 78.

David de Morais, J A. A Transumância de Gados Serranos e o Alentejo. Évora: Câmara Municipal de Évora, 1998.

Ribeiro, Eurico Taxa. O Typho Exanthematico. Porto: Escola MédicoCirúrgica do Porto, 1906 (dissertação inaugural).

Garcia de Resende. Crónica de D. João II e Miscelânea. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1973: 158, 164-5. Edição fac-similada da edição de 1798.

Madeira, Adérito Mendes. Typho Exanthematico. Coimbra: Typographia França Amado, 1918 (these de doutoramento na Faculdade de Medicina de Coimbra).

Pinto, José Ferreira de Macedo. Medicina Administrativa e Legislativa, segunda parte. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1863.

Cruz, Francisco Ignacio dos Santos. Ensaio sobre a Topographia Medica de Lisboa, tomo primeiro, nº 1. Lisboa: Typographia de M. J. Coelho, 1843.

Ferreira de Mira, M. História da Medicina Portuguesa. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1948.

Dias, Pedro A. O tifo exantemático em Portugal. Portugal Médico 1918; 4 (8): 465-71, 529-32.

Sobral, F. Ainda o typhus na Beira-Alta. Med Contemporânea 1884; 2 (20): 157-8.

Ayres do Soveral, Francisco. Os Typhos de Setubal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1881.

Ayres do Soveral, Francisco. Os Typhos de Setúbal em 1881. Segunda Memoria. Lisboa: Imprensa Nacional, 1882.

Sanches de Moraes, Frederico. A proposito da ultima epidemia de Manteigas e para elucidação do seu diagnostico. Movimento Médico 1913; 9 (1): 1-4.

António de Azevedo. Sobre o typho exanthematico em Lisboa. Med Contemporânea 1918; (11): 83-6.

Martins, J T de Sousa. Parecer Sobre a Memoria de Francisco Ayres do Soveral: 45. In: Ayres do Soveral, Francisco. Os Typhos de Setubal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1881.

Anónimo. A epidemia de typho exanthematico. Med Contemporânea 1918; (11): 86-8.

Alberto de Faria, José. O typho exanthematico na cadeia do Aljube, em Lisboa. Med Contemporânea 1918; 20 (24): 185-7.

Tabelas Preliminares do Movimento Physiologico da População do Reino de Portugal, Annos de 1902, 1903 e 1904, tomo 1. Lisboa: Inspecção Geral dos Serviços Sanitários, Secção de Demografia e Estatística, 1906.

Tabelas do Movimento Fisiológico da População de Portugal, Decénio de 1901-1910. Lisboa: Arquivos do Instituto Central de Higiene, Secção de Demografia e Estatística, 1916.

Estatística do Movimento Fisiológico da População de Portugal, anos de 1913 a 1920. Lisboa: Arquivos do Instituto Central de Higiene, Secção de Demografia e Estatística, 1920 a 1926.

Estatística do Movimento Fisiológico da População de Portugal, anos de 1921 a 1925. Lisboa: Direcção Geral de Saúde, Inspecção de Demografia e Estatística, 1927 a 1929.

Anuário Demográfico, anos de 1929 a 1934. Lisboa: Direcção Geral de Estatística. Lisboa, 1930 a 1936.

Anuário Demográfico, anos de 1935 a 1952. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 1936 a 1953.

Anuário Estatístico de Portugal, 1903, vol. 1. Lisboa: Ministério da Fazenda, Direcção Geral de Estatística e dos Próprios Nacionais, 1907.

Anuário Estatístico de Portugal, 1906 e 1907, vol. 1. Lisboa: Ministério das Finanças, Direcção Geral de Estatística, 1913

Anuário Estatístico de Portugal, anos de 1929 a 1934. Lisboa: Direcção Geral de Estatística, 1930 a 1935.

Anuário Estatístico de Portugal, anos de 1935 a 1945. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 1936 a 1946.

Fonseca, F; Pinto, Manuel R. Tifo exantemático. II — Tifo endémico ou murino. Med Contemporânea 1942; 60 (13): 201-7, 225-30.

Jorge, Ricardo. La fièvre exanthématique (fièvre escharo-nodulaire) et son apparition au Portugal. Lisboa Médica 1930; 7 (8): 433-54.

Guedes da Silva. Typho exanthematico. Considerações ácerca da epidemia da Povoa de Varzim e Villa do Conde. Porto Médico 1905; 2 (5): 158-65.

Jorge, Ricardo. Le Typhus Exanthématique à Porto. 1917-1919. Lisbonne: Imprimerie Nationale, 1920.

Gonçalves de Azevedo. Apontamentos sobre alguns casos de typho exanthematico. Porto Médico 1905; 2 (4-5): 127-30, 150-58.

Nota da Redacção. Porto Médico, 1905; 2 (4): 130.

A. A.. Epidemia de typho exanthematico. Med Contemporânea 1918; (19): 150-1.

Marques, A. H. de Oliveira. A Primeira República Portuguesa. Alguns Aspectos Estruturais. Lisboa: Livros Horizonte, 1975.

Tarasevich, I; Rydkina, E; Raoult, D. Outbreak of epidemic typhus in Russia. Lancet 1998; 352 (9134): 1151.

Bercé, Yves-Marie. Os soldados de Napoleão vencidos pelo tifo: 161-74. In: Jacques Le Goff. As Doenças têm História. Lisboa: Terramar, 1997.

David de Morais, Maria da Graça. Causas de Morte no Século XX. Transição e Estruturas da Mortalidade em Portugal Continental. Lisboa: Colibri, 2002: 307.

Anónimo. Epidemia de typho. Med Contemporânea 1918; (16): 127.

Jorge, Ricardo. A peste bubonica no Porto, 1899: seu descobrimento, primeiros trabalhos. Porto: Repartição de Saúde e Hygiene da Camara, 1899.

Bowles, J; McManus, D P. Molecular characterisation of Echinococcus. Archivos de la Hidatidosis (XV Extraordinary Congress for the Celebration of the 50 Years of A.I.H., Rome) 1991; 30: 55-63.

Alves, Jorge Fernandes. Emigração e sanitarismo — Porto e Brasil no século XIX. Ler História 2005; 48: 141-56.

Anónimo. Epidemia de typho exanthematico. Med Contemporânea 1918; (20): 155.

António de Carvalho Dias. Sobre o tifo exantemático. A propósito dos casos de Lisboa (1941). Med Contemporânea 1942; 60 (11): 176-82.

Jorge, Ricardo. A epidemia do Porto. Portugal Médico 1918; 5 (2): 65-74.

Jorge, Ricardo. Tifo Exantemático ou Tabardilho (Relatórios apresentados ao Conselho Superior de Higiene). Lisboa: Imprensa Nacional, 1918.

Anónimo. Tifo exantematico. Portugal Médico 1918; 4 (8): 528.

Frada, João. A Gripe Pneumónica em Portugal Continental — 1918. Lisboa: SeteCaminhos, 2005.

Watts, Sheldon. Epidemics and History. New Haven: Yale University Press, 1997.

Anuário Estatístico de Portugal, ano de 1919. Lisboa: Ministério das Finanças, Direcção Geral de Estatística, 1924: 146

Anónimo. Epidemia de typho exanthematico. Med Contemporânea 1918; 20 (24): 192.

Garrett, A de Almeida. O tifo exantemático no Porto. Portugal Médico 1919; 5 (4): 238-48.

McNeill, William H. Plagues and Peoples. New York: Anchor Books, 1998.

Naylor, C D. Grey zones of clinical practice: some limits to evidence-based medicine. Lancet 1995; 345: 840-2.

Sobral, F. A epidemia de Manteigas. Med Contemporânea 1883; 1 (13): 105.

Thiago d’Almeida. O typho exanthematico. Portugal Médico 1918; 4 (1): 38-51.

Lemos, Maximiano. Prof. Roberto Frias. Med Contemporânea 1918; 20 (18): 137-8.

Necrologia Portuguesa. Portugal Médico, 1918; 4 (3): 199.

Ricardo Jorge. Victimas da profissão. Med Contemporânea 1927; 45 (24): 185.

Anónimo. Med. Contemporânea 1927; 45 (22): 173

Anónimo. Epidemia de Vagos. Med Contemporânea 1929; 47 (24): 212.

Bacellar, F; Lencastre, I; Filipe, A R. Is murine typhus re-emerging in Portugal? Euro Surveill 1998; 3 (2): 18-20.

André, E; Correia, R; Castro, P; Neto, M; Rola, J; Bacelar, F et al. Tifo murino em Portugal. Acta Médica Portuguesa 1998; 11: 81-5.

Godinho, F; Soares, M; Soares, I; Abecasis, P. Tifo murino: uma infecção esquecida. Medicina Interna 2002; 9 (1): 17-20

Ficheiros Adicionais

Publicado

31-12-2008

Como Citar

1.
David de Morais JA. Tifo epidémico em Portugal: um contributo para o seu conhecimento histórico e epidemiológico. RPMI [Internet]. 31 de Dezembro de 2008 [citado 21 de Abril de 2024];15(4):291-307. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/1499

Edição

Secção

História da Medicina