Grau de Dependência e Risco de Infeção Nosocomial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24950/rspmi/O/231/18/3/2019

Palavras-chave:

Autonomia Pessoal, Factores de Risco, Idoso, Infecção Hospitalar

Resumo

Introdução: A incidência de infeções nosocomiais aumenta gradualmente acima dos 65 anos. O objetivo primário
deste trabalho foi avaliar o impacto da redução ou perda
de autonomia dos doentes idosos na aquisição de infeção
nosocomial.
Material e Métodos: Análise prospetiva dos doentes internados entre março 2017 e fevereiro 2018, no Serviço de Medicina Interna do Hospital de Vila Real, com avaliação do
grau de dependência, através da escala de Katz, e aquisição de infeção nosocomial. Outras variáveis foram analisadas: sistemas acometidos e fatores de risco nas infeções
nosocomiais, duração média de internamento, mortalidade
e reinternamento.
Resultados: Foram analisados 1311 doentes, com uma idade média de 83,2 anos. Da amostra de doentes, 33,6% eram
autónomos, 32,6% parcialmente dependentes e 33,7% totalmente dependentes. Infeção nosocomial observou-se em
10,6% dos doentes. Verificou-se uma associação estatisticamente significativa entre o grau de dependência e o desenvolvimento de infeções nosocomiais, assim como entre a
presença de infeção nosocomial e a mortalidade, e o reinternamento aos 30 dias. O grau de dependência também
se associou de forma significativa com o número de dias de
internamento, com a mortalidade e com o reinternamento.
Discussão e Conclusão: Este estudo revelou que o desenvolvimento de infeção nosocomial foi superior nos doentes
com um maior grau de dependência assim como a mortalidade, que também foi superior neste subgrupo de doentes.
Desta forma, a perda de autonomia deve ser encarada como
um potencial predisponente para a aquisição de infeção.

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Publicado

20-09-2019

Como Citar

1.
Costa A, Gonçalves H, Pais C, Isabel Costa A, Salvador F, Vaz Marques P. Grau de Dependência e Risco de Infeção Nosocomial. RPMI [Internet]. 20 de Setembro de 2019 [citado 17 de Agosto de 2022];26(3):193-9. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/405

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