Troponina Elevada e Lesão Miocárdica em Doentes Internados em Medicina Interna : Significado Diagnóstico e Prognóstico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24950/O/69/20/3/2020

Palavras-chave:

Infarto do Miocárdio/diagnóstico, Troponina, Troponina I

Resumo

Introdução: A elevação de troponina é frequente nos doentes internados. O seu significado e classificação (lesão miocárdica crónica versus aguda versus enfarte agudo de miocárdio (EAM), quer tipo 1, quer tipo 2) não se encontram esclarecidos. O objectivo deste estudo foi avaliar o significado e classificar as elevações de troponina em doentes internados numa enfermaria de Medicina Interna.

Material e Métodos: Estudo retrospectivo de doentes internados, num período de dois anos, numa enfermaria de Medicina Interna, a quem foram pedidos, pelo menos, 2 doseamentos de troponina I, ao critério do médico assistente, e que tiveram pelo menos um valor acima do limite de referência de 0,1 ng/ mL. A população foi caracterizada quanto à demografia, factores de risco cardiovascular, antecedentes clínicos, achados clínicos e laboratoriais, terapêutica efectuada e prognóstico. Foi interpretada a elevação de troponina de acordo com a quarta definição de EAM.

Resultados: Foram incluídos 90 doentes, com idade média de 83 anos (± 8,1), sendo 52% do sexo masculino. Cumpriram critérios de EAM 60 doentes (66%), sendo que os restantes 30 doentes (33%) eram classificáveis como lesão miocárdica aguda, sem EAM. Não encontrámos diferenças clínicas, no tratamento e prognóstico entre estes dois grupos de doentes, à excepção da idade (84 ± 7 vs 81 ± 10 anos, respectivamente, p = 0,039). Os doentes tinham um performance status baixo (43% ECOG 3 ou 4), hipertensão arterial (89%), insuficiência cardíaca (51%), diabetes mellitus tipo 2 (50%), insuficiência renal crónica (35%), fibrilhação auricular ou flutter (35%) e enfarte agudo de miocárdio prévio (33%). A apresentação clínica incluiu dispneia em 44% e dor torácica em 13%. À data da alta, 64% dos doentes foram medicados com estatina e 58% com pelo menos um anti-agregante plaquetário. A morte ocorreu durante o internamento em 17%, sendo que a mortalidade a 30 dias foi de 27% e a um ano de 51%.

Conclusão: Neste estudo, verificámos que, dos doentes com elevação de troponina compatível com lesão miocárdica internados numa enfermaria de Medicina Interna, 66% cumpriam os critérios de definição de EAM, enquanto os restantes 33% tinham lesão miocárdica aguda, sem EAM. À excepção da idade (mais elevada nos doentes com EAM) não houve diferença significativa nas características clínicas, abordagem ou prognóstico entre os dois grupos. Os doentes eram idosos e frágeis, com múltiplas comorbilidades, tendo a morte ocorrido duran-te o internamento em 17%, aos 30 dias em 27% e ao 1 ano em 51%, apesar de prescrição de estatina em 64% e de antiagregação em 60%.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Thygesen K, Alpert JS, Jaffe AS, Chaitman BR, Bax JJ, Morrow DA, et al. Fourth Universal defi-nition of myocardial infarction. J Am Coll Cardiol. 2018;72:2231-64. doi: 10.1016/j.jacc.2018.08.1038.

Saaby L, Poulsen TS, Diederichsen ACP, Hosbond S, Larsen TB, Schmidt H, et al. Mortality Rate in Type 2 Myocardial Infarction: Observations from an Unselected Hospital Cohort. Am J Med. 2014;127:295-302.

López-Cuenca A, Gómez-Molina M, Flores-Blanco P, Sánchez-Martínez M, García-Narbon A, Heras-Gómez I, et al. Comparison between type-2 and type-1 myocardial infarction: clini-cal features, treatment strategies and outcomes. J Geriatr Cardiol. 2016;13:15-22. doi: 10.11909/j.issn.1671-5411.2016.01.014.

Baron T, Hambraeus K, Sundström K, Erlinge D, Jernberg T, Lindahl B. Type 2 myocardial infarction in clinical practice. Heart. 2015;101:101-6. doi: 10.1136/heartjnl-2014-306093.

Smilowitz NR, Weiss MC, Mauricio R, Mahajan AM, Dugan KE, Devanabanda A, et al. Pro-voking conditions and outcomes of type 2 myocardial infarction and myocardial necrosis. Int J Cardiol. 2016;218:196-201. doi: 10.1016/j.ijcard.2016.05.045.

Morrow DA, Cannon C, Jesse R, Newby LK, Ravkilde J, Storrow AB, et al. National Academy of Clinical Biochemistry Laboratory Medicine Practice Guidelines: Clinical Characteristics and Utilization of Biochemical Markers in Acute Coronary Syndromes. J Clin Chem. 2007;53:552-74.

Oken M, Creech R, Tormey D, Horton J, Davis TE, McFadden ET, et al. Toxicity And Re-sponse Criteria Of The Eastern Cooperative Oncology Group. Am J Clin Oncol. 1982;5:649-55.

Shah A, McAllister DA, Mills R, Lee KK, Churchhouse A, Fleming KM, et al. Sensitive Tro-ponin Assay and the Classification of Myocardial Infarction. Am J Med. 2015;128:494-501. doi: 10.1016/j.amjmed.2014.10.056.

Stein G, Herscovici G, Korenfeld R, Matetzky S, Gottlieb S, Alon D, et al. Type-II Myocardial Infarction – Patient Characteristics, Management and Outcomes. PLoS One. 2014;9:e84285. doi: 10.1371/journal.pone.0084285.

Szymanski F, Karpinski G, Platek A, Majstrak F, Hrynkiewicz-Szymanska A, Kotkowski M, et al. Clinical characteristics, aetiology and occurrence of type 2 acute myocardial infarction. Kardiol Pol. 2014;72:339-44. doi: 10.5603/KP.a2013.0284.

Nestelberger T, Boeddinghaus J, Badertscher P, Twerenbold R, Wildi K, Breitenbücher D, et al. Effect os definition on incidence and prognosis of type 2 myocardial infarction. J Amn Coll Cardiol. 2017;70:1558-68. doi: 10.1016/j.jacc.2017.07.774.

Javed U, Aftab W, Ambrose J, Wessel RJ, Mouanoutoua M, Huang G, et al. Frequency of Elevated Troponin I and Diagnosis of Acute Myocardial Infarction. Am JCardiol. 2009;104:9-13.

Saaby L, Poulsen TS, Hosbond S, Larsen TB, Diederichsen AC, Hallas J, et al. Classification of Myocardial Infarction: Frequency and Features of Type 2 Myocardial Infarction. Am J Med. 2013;126:789-97.

Masson S, Anand I, Favero C, Barlera S,Vago T,Bertocchi F, et al. Serial measurements of cardiac troponin T using a highly sensitive assay in patients with chronic heart failure: data from two large randomized clinical trials. Circulation. 2012;125:280-8.

Pavasini R, dAscenzo F, Campo G,Biscaglia S,Ferri A,Contoli M, et al. Cardiac troponin elevation predicts all-cause mortality in patients with acute exacerbation of chronic obstructive pulmonary disease: systematic review and meta-analysis. Int J Cardiol. 2015;191:187-93. doi: 10.1016/j.ijcard.2015.05.006.

Peacock W, Marco T, Fonarow G, Diercks D, Wynne J, Apple FS, et al. Cardiac troponin and outcome in acute heart failure. NEJM. 2008;358:2117-26.

Gupta S, Vaidya S, Arora S, Bahekar A, Devarapally S. Type 2 versus type 1 myocardial infarction: a comparison of clinical characteristics and outcomes with a meta-analysis of observational studies. Cardiovasc Diagn Ther. 2017;7:348-58. doi: 10.21037/cdt.2017.03.21.

Downloads

Publicado

30-09-2021

Como Citar

1.
Carrington M, Jacinto M, Sousa A, Sant’Anna J, Muñoz J, Tribolet de Abreu T. Troponina Elevada e Lesão Miocárdica em Doentes Internados em Medicina Interna : Significado Diagnóstico e Prognóstico. RPMI [Internet]. 30 de Setembro de 2021 [citado 13 de Agosto de 2022];27(3):229-35. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/119

Edição

Secção

Artigos Originais

Artigos mais lidos do(s) mesmo(s) autor(es)