Transferências internas — Avaliação num Serviço de Medicina de um Hospital Central

Autores

  • Paulo Carrola Interno do Internato Complementar de Medicina Interna, serviço de Medicina II dos Hospitais da Universidade de Coimbra
  • Francisco Parente Assistente Hospitalar Graduado de Medicina Interna e Auditor Interno de GDH dos HUC
  • Manuela Duarte Administradora Hospitalar, Serviço de Medicina II dos Hospitais Universitários de Coimbra
  • Nuno Devesa Interno do Internato Complementar de Medicina Interna, Serviço de Medicina II, Hospitais Universitários de Coimbra
  • Patrícia Dias Interno do Internato Complementar de Medicina Interna, Serviço de Medicina II, Hospitais Universitários de Coimbra
  • M. B. Alexandrino Chefe de Serviço de Medicina Interna, Serviço de Medicina II, Hospitais Universitários de Coimbra
  • J. J. Moura Director do Serviço de Medicina II; HUC; Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Palavras-chave:

Transferências internas, grupo de diagnósticos homogéneos (GDH)

Resumo

Introdução e Objectivos – Os Hospitais da
Universidade de Coimbra têm um elevado índice
de transferências internas (TI). Neste contexto,
os autores avaliaram este parâmetro no internamento do Serviço de Medicina II, tendo como
objectivo a avaliação da interface com os restantes Serviços, nomeadamente a colaboração
e complementaridade de recursos.
Material e Métodos – Nos internamentos com
menção ao Serviço de Medicina II, tendo data de
alta do hospital entre 01-01-2000 e 31-12-2001,
seleccionaram-se para estudo o grupo com TI.
Foram avaliados os indicadores gerais deste
grupo, o sentido das transferências, incluindo
a discriminação dos serviços envolvidos, estudando em particular os subgrupos com menção
a unidade de cuidados intensivos (UCI) e a intervenção cirúrgica (Cir), avaliando o impacto
económico destes episódios, com determinação
do peso relativo e o financiamento por Grupos
de Diagnósticos Homogéneos (GDH).
Resultados – O número de episódios com TI
foi de 154, correspondendo a 6,3% dos internamentos do Serviço. Nestes destacam a mortalidade de 16,2% e a demora média de 27,7 dias, superiores às totais do Serviço, 8,9% e 8,7 dias.
Nas transferências de Medicina II para outro
Serviço, a área mais envolvida foi a Cirurgia
Geral (34%); no sentido contrário as UCI foram a primeira área (48,8%). Os subgrupos
com Cir (n=53; 34,4%) e com UCI (n=43; 27,9%)
mostraram características diferentes do total
das transferências, sendo relevante o número
de dias em Medicina II dos doentes com UCI
(n=431) e as intervenções urgentes (n=24). Registaram-se diferenças de financiamento por
GDH entre o grupo TI e o reagrupamento só com
os procedimentos realizados em Medicina II.
Conclusões – Destacam-se alguns aspectos do
estudo: 1. Os episódios com TI constituíram um
grupo caracterizado por cuidados mais diferenciados; 2. O peso na continuidade pós UCI
alerta para a necessidade do serviço ter meios
humanos e materiais adequados para o apoio
ao doente transferido das UCI; 3. A presença de
intervenções cirúrgicas não programadas como
ponto de interesse, devendo merecer especial
atenção, principalmente na avaliação no Serviço de Urgência dos casos cirúrgicos, os quais,
muitas vezes, não são identificados, levando ao
internamento em Serviços de Medicina Interna;
4. Interesse do índice de TI na avaliação do modelo de financiamento dos Serviços.

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Referências

Relatório do Movimento Assistencial dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Edição Serviço de Estatística, 1º semestre 2002.

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Escoval A, Vaz A, Alves D e col. O Hospital Português, ed. Direcção

Geral de Saúde, 1998

Ficheiros Adicionais

Publicado

30-06-2004

Como Citar

1.
Carrola P, Parente F, Duarte M, Devesa N, Dias P, Alexandrino MB, Moura JJ. Transferências internas — Avaliação num Serviço de Medicina de um Hospital Central. RPMI [Internet]. 30 de Junho de 2004 [citado 25 de Fevereiro de 2024];11(2):62-9. Disponível em: https://revista.spmi.pt/index.php/rpmi/article/view/1741

Edição

Secção

Artigos Originais

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